( Resenha ) Nada Consta de Danilo "Japa" Nuha @geracaobooks

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Sinopse

Este livro – romance, memórias, aventura mágica? – de Danilo “Japa” Nuha é um livro de ladrão, pulador de muros. É a história de um vendedor de livros e discos do Beco das Garrafas, em Copacabana, Rio de Janeiro, que começa a narrar sua vida a partir da infância, quando foi largado, ainda bebê, no boteco de um casal de japoneses em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e a partir daí não para mais. De jornaleiro e balconista de botequim no Mato Grosso do Sul a operário de fábrica e aspirante a bandido no Japão aos 16 anos; contrabandista em Bali; jornalista em Tokyo aos 25 e, finalmente, de volta ao Brasil, onde vive encontros surpreendentes junto a grandes artistas, como Milton Nascimento, João Donato, Paulo Moura, Roberto Carlos, Emílio Santiago, Criolo, Racionais MC´s, Hermeto Pascoal, Banksy e Almir Sater, entre outros. Ficção? Realidade? Só lendo para entender.

Resenha



"Num piscar de olhos, passei de jornalista promissor a bandido aspirante."

Nada consta é uma Autobiografia de Danilo "Japa" Nuha. Com uma vida agitada desde o momento do nascimento, Danilo conta as principais partes com todos os detalhes como se compartilhasse suas histórias com amigos.

Cada capítulo conta algum fato da vida do jovem de maneira bem informal, o que deixa a leitura bem tranquila.

Danilo foi abandonado pela mãe e adotado por uma família de japoneses que encontrou o bebê em um balcão de um boteco em frente, ao Mercado Municipal de Campo Grande. Por conta da influência da sua nova mãe, Danilo não passou pelo sistema de adoção e foi registrado como filho legítimo do casal de japoneses.

"Acostumados a guerras, tufões, tsunamis e terremotos, a maioria dos japoneses, principalmente os mais velhos, desenvolveu um método único de manter a calma nos piores momentos de crise. Com extrema tranquilidade e frieza, organizam um plano, preparam a tática e executam sem pensar."
Os pais de Danilo eram donos de um bar, desde pequeno ele cresceu tendo várias experiências que marcaram e incentivaram a vida do jovem. Uma passagem interessante fala que por conta de um Sr. que entregava jornal, Danilo adquiriu a vontade de um dia se tornar jornalista e dono de uma Kombi (rsrsrs).

Como já falei no começo da resenha, o livro foi feito de maneira que o leitor sente como se estivesse conversando com um amigo. Portanto o palavreado de alguns capítulos é bem comum e várias vezes palavrões e frases diretas sobre algumas opiniões do autor são lançadas sem você estar "preparado".


"Depois, lá pelo segundo dia sem colocar a cara pra fora, comecei a cheirar e não parei mais. Fiquei uma semana sem aparecer na fábrica. Já nem me lembrava havia quanto tempo repetia essa mesma cruzada; maconha, rum, cocaína, saquê, cristal. Pesadelo costumava dizer que o saquê era legítimo. Só que, pelo tamanho da ressaca, não passava de água, arroz destilado e gasolina."

Depois de concluir os estudos, Danilo decide aproveitar que é registrado como filho de japoneses puro sangue, para viajar para a terra do Sol nascente e conquistar algo na vida.

Mas a vida foi mais difícil do que ele podia imaginar. Nos capítulos em que o autor compartilha suas experiências no exterior, podemos perceber como é difícil viver em um local estranho, com nova cultura e costumes. Lá o rapaz teve várias experiências e correu riscos que o leitor percebe sem  que o autor tenha precisado escrever com todas as letras.

Foi no Japão também que Danilo trabalhou como jornalista. Depois de alguns serviços jornalísticos que não combinavam com o excêntrico rapaz, ele finalmente conseguiu reportagens importantes envolvendo artistas musicais brasileiros.

"A descoberta desses discos me levou para dentro de um mundo novo e, o mais importante, imensamente acolhedor em meio ao caos que vivia no depósito do Onoda, limpando fossa, cheirando cristal e circulando entre carne apodrecida. Aquelas músicas me fizeram ter esperança na vivência presente e muitos sonhos com o futuro. Passei a suportar melhor a distância. As canções de Caetano, Gil, Duprat e Tom Zé me mostraram situações semelhantes às que eu estava vivendo como dekassegui. As sirenes que ponteiam todo o disco eram as mesmas das fábricas que eu tinha que encarar ano após ano no Japão, assim como a mãe lavando panos para aliviar a saudade do filho que se foi e não voltará. Parque industrial, de Tom Zé, e Enquanto seu lobo não vem, de Caetano, vão direto ao encontro do operário em território estranho, sem época definida."

De volta ao Brasil, Japa foi morar no Rio de Janeiro e cada dia na vida deste rapaz é uma aventura diferente. Usando toda a malandragem que parece estar no seu sangue, mas que também é fruto de todas as experiências que passou durante a sua vida, Japa consegue desfrutar de vários momentos inacreditáveis com astros da música brasileira.

Querendo ou não, Danilo consegue deixar, durante a leitura, a marca de que você deve se arriscar para alcançar coisas que realmente te fazem feliz. Se você tentar e estiver preparado, quando a oportunidade chegar conseguirá conquistar memórias maravilhosas. E o que melhor do que memórias e amigos na nossa vida? 

Os capítulos não são organizados em ordem cronológica e acredito que isso não me deixou tão conectada ao livro. Fiz a leitura como se fosse vários contos, pois um capítulo não tem muita ligação com outro, deixando a história com começo e fim em cada capítulo.


O livro tem uma diagramação muito boa e está recheado de fotos e imagens do arquivo pessoal do autor. O autor além de me fazer rir com algumas situações vividas, também trouxe reflexões sobre a vida e algumas passagens sobre política. 
"Ah Japa, vá se fuder! Ainda ontem você não passava de um fudido passando frio lá no Japão. Agora tá aqui, em Ipanema, na casa da Paula Lavigne disputando mina com Seu Jorge na frente do Spike Lee, do Caetano e do Milton! Ah mano, vaza daqui, você é muito trouxa mesmo..."


4 comentários

  1. Larissa!
    Gosto de ler biografias, principalmente quando tem experiências bem interessantes e conseguem transmitir uma conexão com o leitor.
    Acredito que o protagonista sofreu um pouco em sua vida, mas deve ter apredido muito também.
    Desejo uma ótima semana!
    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria.” (Campbell)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  2. Oi Larissa,
    Não tenho costume de ler autobiografias, pois mesmo que tenham um conteúdo interessante, a forma como são escritos os livros deste gênero são um pouco entediantes. Mas Danilo inovou o gênero e propõe uma narrativa mais fluida e menos rígida para contar sua história de vida, que é regada de aventuras e experiências das mais diversas. Não conheço o autor, mas fiquei curiosa para conhecer sua história.

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  3. Não leio autobiografias mas esse parece ser um ótimo livro, principalmente para quem está sofrendo ou para baixo, para mostrar que todos podemos dar a volta por cima e não devemos nos defenir por algo passageiro, que temos que correr atrás para conquistar nossos sonhos. Um homem que seria completamente diferente se ele tivesse deixado que o abandono de sua mãe o afastasse, história de superação.

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  4. Gosto muito de autobiografias, e não vou deixar passar...uma história de superação,sofrimento e aprendizado.
    Não conhecia esse livro e nem o escritor,mas já gostei.

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