( Resenha ) O Garoto Quase Atropelado de Vinícius Grossos @FaroEditorial

Faro Editorial

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Resenha


“Sabe aquele momento em que você realmente é quase atropelado por alguma coisa e vê sua vida passando rápido diante dos seus olhos, e, então, nada acontece e você está apenas lá, parado, os olhos arregalados, o medo cantando aos ouvidos e o coração martelando de forma doentia? E aí, nesse instante, você percebe que está tudo bem, você respira e é como se tivesse mais uma oportunidade. E no fim das contas, tudo se resume a apenas um sentimento: você realmente se sente vivo.”


Primeiro adorei a forma como o autor escreveu o livro. Ele vem como um diário do garoto quase atropelado. Assim com o passar das páginas é como se você estivesse ouvindo as confidências de um amigo, dessa maneira consegue mergulhar nos sentimentos do rapaz.

E já na primeira página eu sabia que iria me apaixonar, pois encontrei um trecho de uma das minhas músicas favoritas: Giz da banda Legião Urbana.


“ANTES de começar a ler, ATENÇÃO! Você não saberá o nome do autor deste diário, nem onde ele mora, nem terá nenhuma outra informação que possa identificá-lo. Ele pode ter sido seu vizinho, um caso de que ouviu falar, ou o menino que estudou com você semestre passado… Mas uma coisa é certa: você vai conhecê-lo de uma forma profunda, verdadeira e cruel.”

O autor não nos disponibiliza o nome do protagonista, por isso vou chamá-lo desta forma ou simplesmente de Garoto quase atropelado! ;)

O protagonista é incentivado pela psicóloga a escrever em um diário como forma de retirar de si os sentimentos que vem guardando desde o acontecimento que marcou sua vida. Ele então resolve seguir não somente esse conselho como também o da sua mãe, e sai para dar uma volta de bicicleta.

O que ele não podia imaginar é que em seu primeiro passeio seria quase atropelado pela Cabelo de Raposa (Laís). O rapaz fica encantando com a menina e não sossega até encontrá-la novamente. Assim por meio dela ele conhece o James Dean, não tão bonito (Acácio) e a menina do cabelo roxo (Natália). A partir do momento que decidiu aceitar os conselhos e se abrir um pouco para vida, ele saiu do casulo para viver realmente todas as emoções da adolescência, sejam elas boas ou ruins, compreensíveis ou totalmente sem fundamentos, valorizadas ou desprezadas.

“Realmente, é difícil lidar com a dor, que parece infinita, quando você perde a única pessoa que não o deixava se sentir a criatura mais solitária e perdida do mundo.”

O que compartilhamos com o garoto quase atropelado são as particularidades de cada amigo. Como na vida real, cada pessoa tem um papel em nossa vida, tem suas próprias batalhas, vitórias, derrotas, feridas, mágoas, lembranças, gostos e perspectiva de vida. E todos nós temos que percorrer esta louca estrada da vida e enfrentar nossos medos. O que o autor consegue mostrar é que a sociedade é uma selva, existe sim, sempre alguém querendo apontar para você e dizer que o jeito que você vive não é o “correto”, padrões de vestimenta, de comportamento, de fala, de relacionamento. Qualquer pessoa que foge de qualquer padrão que seja, vai sofrer com a pressão das feras da sociedade. Assim mesmo que eu sinto, que o ser humano muitas vezes deixa o lado mais primitivo sobressair e age como verdadeiro animal. Sem um pingo de empatia. Agindo sem pensar, sem analisar todas as partes para chegar a uma conclusão.

“Só conseguia pensar em quais seriam as razões que levavam algumas pessoas a se sentirem tão incomodadas a ponto de agredir outra que nem conhecem, apenas por ela pensar ou agir diferente. Era um daqueles momentos que você sente verdadeiro nojo do mundo.”

O livro vai abordar cada um dos amigos, contando seus segredos e particularidade, lógico que aprofundando mais as histórias do Garoto quase atropelado e da Cabelo de Raposa. Todas as aventuras, festas, brigas, descobertas e emoções do quarteto durante um mês. E o interessante é descobrir no desenvolver do livro cada particularidade e eventos que marcaram os personagens.

“A vida é feita de lembranças não? Às vezes, eu apenas penso… Ninguém é completamente feliz neste mundo. Acho que a vida de todos é feita de coisas boas e coisas ruins. E, no final, quando as coisas ruins chegam e a gente se sente perdido e mal, as boas recordações servem para nos agarrarmos e tentarmos suportar.”

O garoto quase atropelado é um livro que mostra o lado de quem presencia as recriminações da vida. Como os julgamentos afetam de maneira diferente cada pessoa. De forma simples ele nos leva pra dentro dessa aventura que é viver e crescer! Mostrando-nos as diversas maneiras de enfrentar os obstáculos que aparecem na nossa vida. Porque todos nós podemos enfrentar as dificuldades do garoto quase atropelado, James Dean não-tão-bonito, a menina do cabelo roxo e a Cabelo de Raposa. Ou então encontrar e fazer parte do círculo de amizade de pessoas que compartilham a mesma dor que eles. Abuso sexual, consumo de álcool e drogas, suicídio, distúrbios alimentares, preconceito, homossexualidade e abandono familiar são assuntos que o autor abordou de forma intensa, emotiva e sincera.

Uma coisa é certo e este livro deixa bem claro: precisamos dos amigos, sejam eles presentes do dia-a-dia, virtuais, familiares ou um diário. O importante é sempre compartilhar as alegrias e as tristezas para que elas não nos destruam por dentro. 
Gostei bastante de ler este livro, tanto que li em uns 3 dias. :)

Parabéns Vinícius! No final me senti quase atropelada também! 

E seja a bolinha dentro do triângulo!





Sobre o Autor

“Vinícius Grossos é taurino, leitor voraz e perseguidor de sonhos. Ama comida italiana, dias nublados e café. Nasceu em 1993, no estado do Rio de Janeiro e quando pequeno, tinha o sonho de trabalhar em uma livraria apenas para poder ler tudo o que fosse possível. Já quis ser desenhista também, mas sua falta de talento o ajudou a se encontrar de vez como escritor. 

Publicou seu primeiro livro, Sereia Negra, em 2014, e participou de diversos eventos e feiras literárias. Atualmente mora em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde estuda Jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora. 

Seu maior sonho é viver de literatura no Brasil e viajar pelo mundo com seu trabalho.” 

Fonte: Site do autor

Como colunista na revista Todateen, Vinicius Grossos escreve mensalmente sobre literatura e adaptações. Saiba mais AQUI

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Um comentário

  1. Oi, Eva! tudo bem?

    Eu vi este livro no site do autor e me encantei com a simplicidade da capa, porém, encantadora e desde então, quero comprar esta preciosidade! :)
    Gostei muito de sua resenha, pois relatou com clareza e nos mostrou como nos sentimos em relação à algum sentimento oculto.
    Parabenizo o Vinícius em breve irei ler esta obra literária!

    Beijos!
    Irmãos Livreiros

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